TEDxAmazônia – Alexandre Sequeira reencontra o sentido da fotografia

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Na década de 1990, o fotógrafo paraense Alexandre Sequeira foi levado por um amigo a um isolado vilarejo de pescadores, distante a 150 quilômetros de Belém (PA). A partir daí, as visitas ao local ficaram frequentes, surgindo então uma amizade com os moradores, e Sequeira torou-se uma espécie de “fotógrafo oficial” da comunidade, fazendo até fotografias para documentos. “Com essas relações, fui cada vez mais entrando na intimidade das pessoas”, conta ele, que acabou também recuperando fotos antigas dessas pessoas, ao mesmo tempo em que ouvia histórias do passado e testemunhava uma sensação de autorreconhecimento dos habitantes da vila, despertada tanto pelas fotos antigas quanto pelas imagens atuais.

Já em 2004, época em que a energia elétrica chegou à vila, Sequeira ganhou uma bolsa de pesquisa em artes do Instituto de Artes do Pará (IPA). Ainda sem um tema definido para o estudo, a atitude solene de alguns moradores ao serem fotografados chamou a atenção dele, e começou aí o embrião do trabalho que faz parte da mostra “Nazaré de Mocajuba”, em cartaz na Fauna Galeria, em São Paulo, até 10 de julho (2010), inaugurando seu espaço expositivo. Sequeira pediu a esses dez moradores alguns objetos usados (que o fotógrafo achava que diziam algo sobre seus donos), como cortinas, lençóis, toalhas de mesa e redes, e os trocou por novos. Neles, o fotógrafo fez estampas com serigrafia da foto de cada morador em tamanho real – dez dessas peças estão na exposição, assim como oito fotos tiradas dos objetos na própria moradia dos modelos. Apenas as fotografias expostas na galeria estão à venda e parte da renda obtida serve para execução da cópia das imagens e outra é revertida para a vila de Nazaré de Mocajuba.

O vilarejo, aliás, foi o primeiro local a receber a exposição, ainda no final de 2004. A identificação dos moradores com suas imagens foi imediata. O fotógrafo conta que uma das retratadas, a Dona Benedita, ficou surpresa quando viu o resultado: a imagem dela na sua cortina de flores de um vermelho intenso. “Ela disse que não sabia que se parecia tanto com a própria cortina”.

Galeria

Em 2007, algumas peças participaram do projeto Portfólio do Instituto Itaú Cultural, em São Paulo. A volta da exposição à capital paulista ocorre numa situação diferente, já que agora o artista está sendo representado pela Fauna Galeria. Patrícia Cataldi, uma das sócias do lugar, conheceu Sequeira no ano passado, quando ele participava do festival internacional de fotografia Paraty em Foco.

A outra sócia, Caru Magano, diz que o objetivo do empreendimento é sair do padrão, dando espaço para novos artistas e novas mídias, além de trabalhos que explorem a mistura de técnicas, como no caso da exposição “Nazaré de Mocajuba”. “Como o nome fauna sugere, coisas menos sérias que as galerias tradicionais”, afirma.

Mostra Nazaré de Mocajuba, do fotógrafo Alexandre Sequeira.
Fauna Galeria (Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 470, Jardim América).
Telefone: (11) 3668-6572.
Horários de abertura: de segunda-feira a sexta-feira, das 10 horas às 19 horas; sábados, das 11 horas às 17 horas.
Até 10 de julho de 2010. Entrada gratuita www.faunagaleria.com.br

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